Paulo Reyes
O território como ato: corpo,
arte, cidade
Este
texto configura-se como uma reflexão sobre a cidade contemporânea a partir do
universo da filosofia, mais especificamente, em Deleuze e Guattari com
aproximações ao pensamento crítico da arte contemporânea em Anne Cauquelin,
Nicolas Bourriaud e Jacques Ranciére. Essa abordagem teórica estruturou uma
disciplina no PROPUR/UFRGS, em 2014/01 organizada e conduzida por mim, com a
contribuição de Andréa Braga (pesquisadora de pós-doutorado no Propur, sob
minha supervisão). O objetivo era refletir sobre a cidade contemporânea a
partir de uma dimensão estética, apoiada no pensamento filosófico da arte,
diferentemente das experiências funcionalistas do espaço urbano. A fim de
contribuir ao seminário “corpocidade 4”, pretende-se apresentar um texto que
retrate um pouco dessa experiência de pesquisa e ensino a partir de
aproximações, investidas e circunlocuções teóricas resultantes dessa atividade.
O texto explora os conceitos de apropriação e agenciamento social do espaço em
cidades, tendo como fio condutor a relação entre corpo e modalidades de
movimento. Para desdobrar essas questões sobre as diferenças nos processos de
agenciamento e emergência de territorialidades dinâmicas na cidade, inicia-se
com os itinerários cotidianos e as táticas de De Certeau; com a circulação e
trânsito dos não-lugares de Augé; retoma-se os vagares de Benjamin para
atualizá-lo como pré-dispositivo dos rizomas e agenciamentos em Deleuze e
Guattari. O artigo se subdivide em quatro partes: 1. Os corpos lentos – nesse
item, abordam-se as relações corpo-movimento-espaço-agenciamento em De Certeau;
2. A massa, os corpos agregados – apresentam a construção da noção de massa em
Benjamin; 3. Contatos fugazes entre corpos – expõem os não-lugares e as
co-presenças em Augé; 4. Os coletivos rizomáticos – discutem as identidades
múltiplas e as afiliações instantâneas.
A
noção de corpo aqui nesta abordagem diz respeito não só aos corpos humanos, mas
ao diversos tipos de corpos (materialidade física da cidade). A questão
perseguida é a maneira como esses corpos produzem subjetividades a partir da
fricção entre essas diversas composições. A arte entra como o elemento
disparador e de interferência na dinâmica funcional dos movimentos desses
corpos da e na cidade. O resultado desses agenciamentos de corpos são o que
Deleuze e Guattari nomeiam de agenciamento de enunciação maquínica. Ou seja,
esses corpos considerados máquinas (corpos maquínicos) produzem sentidos que
expressam as novas subjetividades resultantes desse processo de agenciamento.
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