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sábado, 1 de novembro de 2014

O território como ato: corpo, arte, cidade

Paulo  Reyes

O território como ato: corpo, arte, cidade

Este texto configura-se como uma reflexão sobre a cidade contemporânea a partir do universo da filosofia, mais especificamente, em Deleuze e Guattari com aproximações ao pensamento crítico da arte contemporânea em Anne Cauquelin, Nicolas Bourriaud e Jacques Ranciére. Essa abordagem teórica estruturou uma disciplina no PROPUR/UFRGS, em 2014/01 organizada e conduzida por mim, com a contribuição de Andréa Braga (pesquisadora de pós-doutorado no Propur, sob minha supervisão). O objetivo era refletir sobre a cidade contemporânea a partir de uma dimensão estética, apoiada no pensamento filosófico da arte, diferentemente das experiências funcionalistas do espaço urbano. A fim de contribuir ao seminário “corpocidade 4”, pretende-se apresentar um texto que retrate um pouco dessa experiência de pesquisa e ensino a partir de aproximações, investidas e circunlocuções teóricas resultantes dessa atividade. O texto explora os conceitos de apropriação e agenciamento social do espaço em cidades, tendo como fio condutor a relação entre corpo e modalidades de movimento. Para desdobrar essas questões sobre as diferenças nos processos de agenciamento e emergência de territorialidades dinâmicas na cidade, inicia-se com os itinerários cotidianos e as táticas de De Certeau; com a circulação e trânsito dos não-lugares de Augé; retoma-se os vagares de Benjamin para atualizá-lo como pré-dispositivo dos rizomas e agenciamentos em Deleuze e Guattari. O artigo se subdivide em quatro partes: 1. Os corpos lentos – nesse item, abordam-se as relações corpo-movimento-espaço-agenciamento em De Certeau; 2. A massa, os corpos agregados – apresentam a construção da noção de massa em Benjamin; 3. Contatos fugazes entre corpos – expõem os não-lugares e as co-presenças em Augé; 4. Os coletivos rizomáticos – discutem as identidades múltiplas e as afiliações instantâneas.



A noção de corpo aqui nesta abordagem diz respeito não só aos corpos humanos, mas ao diversos tipos de corpos (materialidade física da cidade). A questão perseguida é a maneira como esses corpos produzem subjetividades a partir da fricção entre essas diversas composições. A arte entra como o elemento disparador e de interferência na dinâmica funcional dos movimentos desses corpos da e na cidade. O resultado desses agenciamentos de corpos são o que Deleuze e Guattari nomeiam de agenciamento de enunciação maquínica. Ou seja, esses corpos considerados máquinas (corpos maquínicos) produzem sentidos que expressam as novas subjetividades resultantes desse processo de agenciamento. 

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