o caminhar e a prática fotográfica: ensaio no espaço urbano
![]() |
http://www.sobrepeleepedra.tumblr.com |
O ensaio fotográfico sobre
pele e pedra que estará exposto durante o Corpocidade4 tem como método a
prática da livre caminhada no espaço urbano associada à fotografia. As fotografias foram
produzidas principalmente em São Paulo, minha cidade natal, mas também outras
metrópoles brasileiras e latino-americanas.
O trabalho fundamenta-se numa aproximação subjetiva da cidade e as
imagens resultantes de tal prática, apesar de levantarem questões sobre a vida
na metrópole, formulam-se mais como experiência sensível - visual e corporal –
que conceitual. Não há, portanto, um projeto prévio, de natureza documental ou
serial, que determina qual será o assunto ou o recorte realizado, apenas um
método de aproximação da realidade. Para a fotógrafa Dorothea Lange, “saber de
antemão o que se está procurando nos faz fotografar apenas nossas próprias
concepções prévias, o que é muito limitador”. A utilização do ensaio
fotográfico como forma de discurso, e da livre caminhada como método de
trabalho são ambos estados errantes de busca, percepção e realização. Tal método de trabalho parte, portanto, da
compreensão de que a subjetividade é característica fundamental do processo
artístico, por garantir plena liberdade de busca.
Do ponto de vista corporal, a prática do caminhar afirma-se em
oposição à pacificação do corpo no cotidiano da cidade moderna. Para Richard
Sennet, a busca pela sensação de desenraizamento seria fundamental no sentido
de romper com as formas de experiência sensíveis modernas: a segurança e o
conforto. No mesmo sentido, Rebeca Solnit irá se
referir ao corpo pesquisado pela teoria pós-moderna: “The body described again
and again in postmodern theory does nor sufer under the elements, encounter
other species, experience primal fear or much in the way of exhilaration, or
train its muscle to the utmost. In sum, it doesn’t engage in physical endeavor
or spend time out of doors. The very term ‘the body’, so often used by
postmodernists seems to speak of a passive object, and that body appears most
often laid out upon the examining table or in bed.” (SOLNIT, p.28).
Paralelamente a sobre pele e
pedra, venho desenvolvendo desde o início deste ano o ensaio linha
vermelha, que trabalha a questão da corporeidade cotidiana de forma mais
explícita.
![]() |
www.linha-vermelha.tumblr.com |


Nenhum comentário:
Postar um comentário