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terça-feira, 25 de novembro de 2014



o caminhar e a prática fotográfica: ensaio no espaço urbano






http://www.sobrepeleepedra.tumblr.com




       O ensaio fotográfico sobre pele e pedra que estará exposto durante o Corpocidade4 tem como método a prática da livre caminhada no espaço urbano associada à fotografia. As fotografias foram produzidas principalmente em São Paulo, minha cidade natal, mas também outras metrópoles brasileiras e latino-americanas.
    
     O trabalho fundamenta-se numa aproximação subjetiva da cidade e as imagens resultantes de tal prática, apesar de levantarem questões sobre a vida na metrópole, formulam-se mais como experiência sensível - visual e corporal – que conceitual. Não há, portanto, um projeto prévio, de natureza documental ou serial, que determina qual será o assunto ou o recorte realizado, apenas um método de aproximação da realidade. Para a fotógrafa Dorothea Lange, “saber de antemão o que se está procurando nos faz fotografar apenas nossas próprias concepções prévias, o que é muito limitador”. A utilização do ensaio fotográfico como forma de discurso, e da livre caminhada como método de trabalho são ambos estados errantes de busca, percepção e realização.  Tal método de trabalho parte, portanto, da compreensão de que a subjetividade é característica fundamental do processo artístico, por garantir plena liberdade de busca.
      
      Do ponto de vista corporal, a prática do caminhar afirma-se em oposição à pacificação do corpo no cotidiano da cidade moderna. Para Richard Sennet, a busca pela sensação de desenraizamento seria fundamental no sentido de romper com as formas de experiência sensíveis modernas: a segurança e o conforto. No mesmo sentido, Rebeca Solnit irá se referir ao corpo pesquisado pela teoria pós-moderna: “The body described again and again in postmodern theory does nor sufer under the elements, encounter other species, experience primal fear or much in the way of exhilaration, or train its muscle to the utmost. In sum, it doesn’t engage in physical endeavor or spend time out of doors. The very term ‘the body’, so often used by postmodernists seems to speak of a passive object, and that body appears most often laid out upon the examining table or in bed.” (SOLNIT, p.28).
      
      Paralelamente a sobre pele e pedra, venho desenvolvendo desde o início deste ano o ensaio linha vermelha, que trabalha a questão da corporeidade cotidiana de forma mais explícita.




www.linha-vermelha.tumblr.com




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