Por Cássia Correa
A dupla “Poro”, Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada! instigam uma série de questões sobre o sujeito e o coletivo (político e subjetivo), o uso do espaço público urbano e a cidade contemporânea. A partir da análise das intervenções da dupla "Poro" e de outras intervenções artísticas, nacionais e internacionais, é construída uma reflexão que compõe a pesquisa de dissertação no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo-PROGRAU, na Universidade Federal de Pelotas-UFPel na linha de Percepção do Ambiente Construído pelo Usuário. Onde problematiza-se a falta de estudos em que a percepção do usuário do espaço público urbano seja voltada para a ação/participação dos artistas e coletivos de artistas na (re) invenção das cidades. Este estudo se dá através do olhar sobre diversas propostas artísticas que possibilitam novas percepções sobre o espaço urbano; ressignificando (reinventando) as relações de experiência entre sujeito e o urbano. Afinal, segundo Nelson Brissac (1998) “a intervenção artística contribui para redefinir o espaço urbano, ao criar novas tramas com a arquitetura e o urbanismo e as situações sociais ao redor”. Apresenta-se, para o Corpocidade 4, um recorte da produção da dupla “Poro”, como uma proposta que busca firmar mais uma relação vital entre Artes Visuais, Arquitetura e Urbanismo. A escolha do coletivo “Poro” justifica-se, neste contexto, pela sensibilidade da dupla de artistas de Belo Horizonte que desde 2002, buscam instrumentalizar o sujeito, e tornar livre um sentimento poético e político sobre o espaço público urbano, utilizando-se das errâncias urbanas, que é "uma possibilidade de crítica" (JACQUES, 2012) à perda da urbanidade. Despertando no usuário* a consciência do ser agente de transformação da cidade, aquele que possui uma “forma de criar relações com o mundo a partir de signos, gestos e/ou objetos” (PORO, 2011). E então, friso (insisto, revelo, saliento, almejo, aspiro, cobiço, desejo) novas maneiras de fazer cidade. Todos que compartilham suas ideias no Corpocidade 4 buscam de alguma forma, com a pesquisa qualitativa, estudar a fundo o conceito "habitar" e principalmente outros modos de fazer/ver o urbano. Que não é um simples acontecer, ou estado, estar sobre ou embaixo, de lado ou de frente, ou uma soma, ou subtração do concreto. A maioria de nós vive almejando as inúmeras possibilidades de habitar e reconhecer o poder do corpo/sujeito e do espaço/tempo, e por esta razão, cobiçamos por mais poder político/artístico investido no presente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário