[Paula Bruzzi Berquó]
No presente trabalho, pretendemos investigar em que medida o ato A Ocupação - processo de questionamento, por meio da experiência estética, das lógicas de produção e apropriação dos espaços públicos de Belo Horizonte - constitui um acontecimento micropolítico, capaz de gerar contribuições para a emergência de modos singulares de produção espacial na cidade. Procuraremos, para tanto, apontar aproximações deste ato com a ideia de espaço-comum. Essa expressão refere-se aqui a espaços ou formas de produção espacial que, por meio da ação em comum de singularidades heterogêneas, apresentem-se como alternativas aos mecanismos hierárquicos e de espetacularização presentes nas práticas urbanísticas contemporâneas. Se o espaço urbano funciona como máquina produtora de subjetividade, isto é, de territórios existenciais, desejos e imaginários coletivos, o espaço-comum é por nós entendido como onde tal processo se dá com base na singularidade e na partilha. Trata-se, assim, de dinâmicas espaciais que funcionem não como vetores de processos de sujeição, mas, ao contrário, como ativadores, a partir da ação colaborativa, de situações singulares. A Ocupação é um ato artístico-cultural colaborativo que ocorre em Belo Horizonte, desde julho de 2013, com o objetivo de promover questionamentos a respeito do direito ao uso e à produção dos espaços da cidade. A ação, que consiste na realização de atividades como apresentações musicais, debates, oficinas, performances, cortejos e piqueniques, vem aos poucos consolidando-se como prática, baseada na experiência estética, de resistência, por parte da sociedade civil, a processos urbanísticos de gentrificação. Ela surgiu motivada pela insatisfação de um amplo grupo de cidadãos a um projeto de requalificação da área do Viaduto Santa Tereza, na região central de Belo Horizonte, e transformou-se, seguidamente, em evento periódico e itinerante. Deslocando-se para variados bairros da cidade, esta passou a abarcar, a cada ocorrência, novas pautas, grupos e atividades, passando a configurar um conjunto bastante heterogêneo de acontecimentos. A unidade que se forma é, assim, precária, o que significa dizer que as ações reunidas sob o nome A Ocupação não conformam um bloco fechado, regrado, e portanto previsível, mas uma série de situações singulares, que apesar de partirem de uma estratégia comum, se constroem no aqui e agora de sua própria experiência. Em suma, trata-se de um ato de experimentação contínua, cuja construção dá-se por meio do acúmulo (e..e..e..) de táticas realizadas ao longo de suas várias edições. Contudo, algumas características mantiveram-se sempre presentes, conferindo ao ato especial relevância para o presente trabalho: o seu caráter performático e o fato de envolver, em suas dinâmicas, ensaios de co-construção e formas horizontais de organização social. Delas decorrem o fato de este configurar, e esta é a nossa aposta, exemplo do que estamos considerando espaços-comum.
No presente trabalho, pretendemos investigar em que medida o ato A Ocupação - processo de questionamento, por meio da experiência estética, das lógicas de produção e apropriação dos espaços públicos de Belo Horizonte - constitui um acontecimento micropolítico, capaz de gerar contribuições para a emergência de modos singulares de produção espacial na cidade. Procuraremos, para tanto, apontar aproximações deste ato com a ideia de espaço-comum. Essa expressão refere-se aqui a espaços ou formas de produção espacial que, por meio da ação em comum de singularidades heterogêneas, apresentem-se como alternativas aos mecanismos hierárquicos e de espetacularização presentes nas práticas urbanísticas contemporâneas. Se o espaço urbano funciona como máquina produtora de subjetividade, isto é, de territórios existenciais, desejos e imaginários coletivos, o espaço-comum é por nós entendido como onde tal processo se dá com base na singularidade e na partilha. Trata-se, assim, de dinâmicas espaciais que funcionem não como vetores de processos de sujeição, mas, ao contrário, como ativadores, a partir da ação colaborativa, de situações singulares. A Ocupação é um ato artístico-cultural colaborativo que ocorre em Belo Horizonte, desde julho de 2013, com o objetivo de promover questionamentos a respeito do direito ao uso e à produção dos espaços da cidade. A ação, que consiste na realização de atividades como apresentações musicais, debates, oficinas, performances, cortejos e piqueniques, vem aos poucos consolidando-se como prática, baseada na experiência estética, de resistência, por parte da sociedade civil, a processos urbanísticos de gentrificação. Ela surgiu motivada pela insatisfação de um amplo grupo de cidadãos a um projeto de requalificação da área do Viaduto Santa Tereza, na região central de Belo Horizonte, e transformou-se, seguidamente, em evento periódico e itinerante. Deslocando-se para variados bairros da cidade, esta passou a abarcar, a cada ocorrência, novas pautas, grupos e atividades, passando a configurar um conjunto bastante heterogêneo de acontecimentos. A unidade que se forma é, assim, precária, o que significa dizer que as ações reunidas sob o nome A Ocupação não conformam um bloco fechado, regrado, e portanto previsível, mas uma série de situações singulares, que apesar de partirem de uma estratégia comum, se constroem no aqui e agora de sua própria experiência. Em suma, trata-se de um ato de experimentação contínua, cuja construção dá-se por meio do acúmulo (e..e..e..) de táticas realizadas ao longo de suas várias edições. Contudo, algumas características mantiveram-se sempre presentes, conferindo ao ato especial relevância para o presente trabalho: o seu caráter performático e o fato de envolver, em suas dinâmicas, ensaios de co-construção e formas horizontais de organização social. Delas decorrem o fato de este configurar, e esta é a nossa aposta, exemplo do que estamos considerando espaços-comum.
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