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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desenho.modo

          Nena Balthar
  Na viagem pela paisagem carioca o horizonte é a linha d’água e a extensão dos braços que riscam, rasgam e marcam a paisagem. Se inicia com braçadas e pernadas sobre a superfície do mar, das lagoas e das piscinas da cidade. O princípio eleito para realizar as performances/nados se baseia no pressuposto de privilegiar a visão de quem se encontra imerso na paisagem, uma imersão literal e aquática. O ponto de vista do nadador – uma tênue linha divisória entre a paisagem terrestre e a paisagem submersa – percebe atravessamentos entre esses espaços. As obras são vídeos que possuem imagens gravadas por uma câmera digital presa à minha cabeça e mostram a ação de nadar em localidades da cidade do Rio de Janeiro. É a presença da água na paisagem, seja o espelho d’água de piscinas e de lagoas ou do mar, que define os locais onde a performance é realizada. A respiração e o deslocar-se na superfície líquida são os elementos sonoros da obra. O espectador inserido como que “abduzido” pela imagem e pela sonoridade rítmica, mântrica, proporcionada pela repetição compassada dos movimentos e da respiração. Tentativa de desenhar e apresentar o que o corpo sente: o esforço, o desafio, o cheiro, a temperatura da água, as condições climáticas. Assim como as conquistas engendradas nas águas nem sempre seguras, salutares ou recomendadas à prática da natação. Agrega o risco de me lançar nessas superfícies e o medo de afogamento. A paisagem familiar da cidade natal redescoberta em agenciamentos de novas conexões e percepções.

O interesse em proporcionar uma experiência de deslocamento que solicita o corpo para construir um mapa de minha cidade natal em um primeiro momento, e de outros lugares (reais e imaginados) como desdobramento, leva em conta operações com um “sistema construtivo”– o mapa - e com um imaginário que traz algo do lugar que não está nesse sistema de construção. Reforça a natureza dos mapas serem ao mesmo tempo informação para que se realize uma viagem à algum lugar, e serem também eles próprios uma viagem. Esse fascínio pela viagem acessada pelo mapa está atrelado à busca pelo conhecimento do mundo que habitamos e tem na ciência cartográfica sua tradução. O esforço empreendido pelos experimentos de deslocamento frente à invenção de inícios, de imaginar percursos, de desenhar linhas empreendido na obra visa gerar outros entendimentos da cidade, de sua cartografia, redimensionando o cotidiano.  
Para o Corpocidade 4 proponho fazer um mapa da paisagem aquática de Salvador a partir das ações operadas na série  Desenho.modo


A apresentação do trabalho (articulação) será em vídeo.

Minhas articulações com o grupo Subjetividade, Corpo e Arte:
Corpo -  mecânico e fluido é matéria e superfície na realização da obra e está em consonância com a ideia de deslocamento e de suas relações com o espaço com o propósito de gerar outras conexões e percepções.

Subjetividade – possibilidade de invenções de imaginar percursos, de desenhar linhas e é empreendido na obra visando gerar outros entendimentos da cidade, de sua cartografia, redimensionando o cotidiano. 

Arte – campo ou lugar ou espaço no qual atuo e movimento meus pensamentos e reflexões sobre o mundo, como o habitamos e como geramos modos de pertencimento e outros acessos ao nosso dia-a-dia.
Esse pensamento navega entre desenho e sua geografia que por sua vez navega entre paisagem e performance.

Algumas imagens





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